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  • Vitor Soares

O que são arcos narrativos nos roteiros e quais são os mais comuns



Se você chegou até aqui para entender o que é um arco narrativo, é preciso saber que essa estrutura das narrativas sempre acontece no entorno de um personagem e de seus conflitos. Compreende isso? Vou explicar.


No cinema, como na vida, as personagens sempre estão em busca de algo. Seja um câmera fotográfica, como Buscapé em Cidade de Deus (2003), seja uma vida economicamente melhor, como a família em Parasita (2019), essas pessoas sempre querem algo para modificar o modo como estão vivendo.


Mas é claro que nada é tão simples. Nesse caminho rumo aos desejos dos personagens, sempre aparece uma série de conflitos que impedem ou dificultam o sucesso dessas pessoas rumo ao desfecho de suas histórias. Uns têm êxito e conquistam o que querem, enquanto que outros nem sempre conseguem e acabam derrotados. Isso serve para qualquer tipo de personagem:


É isso, portanto, que de modo geral move as histórias: a necessidade que alguém ou algo animado tem de conquistar alguma coisa e os obstáculos que ele ou ela precisa enfrentar para chegar lá.


É a forma como essa jornada ocorre, entre o desejo do personagem e a conclusão de sua história, que chamamos de arco narrativo.


O que é um arco narrativo?


Um arco narrativo no fim das contas é o caminho que o personagem percorre, a partir do seu desejo, rumo ao sucesso ou ao fracasso de sua jornada.


Para pensar esse conceito simplificado, antes de falarmos dos tipos de arcos, podemos pensar na estrutura já citada até aqui: um personagem, um desejo, o conflito e a conclusão (sucesso ou fracasso).


Vamos voltar a um dos exemplos e usar essas ideias.


Em Cidade de Deus, Buscapé (personagem) quer uma câmera para se tornar fotojornalista (desejo), mas a máquina é muito cara para suas condições financeiras (conflito). No fim, ele acaba ganhando uma câmera de Zé Pequeno e começa a usá-la para registrar a vida na favela (resolução).


Reparou? Um personagem sempre percorre um caminho dentro de uma narrativa. Compreendendo esse paradigma, aí sim podemos falar das formas narrativas mais utilizadas.


Os arcos narrativos mais comuns


A maior parte das histórias, por mais diferentes que sejam as suas temáticas, usam os mesmos arcos narrativos - com raríssimas exceções, é claro.


Essa percepção veio através de estudos feitos ao longo do tempo e que culminaram na pesquisa do professor Andrew Reagan, da Universidade de Vermont, que usou um programa de computador para analisar 1722 livros de ficção com objetivo de determinar os arcos narrativos mais comuns.


Basicamente, Reagan e sua equipe compreenderam que na maior parte das vezes os personagens seguem um rumo muito parecido nas histórias e que esses rumos os levam a destinos também muito parecidos.


Apesar de as histórias terem temáticas muito distintas, essas as jornadas mais comuns entre os personagem que temos acompanhados ao longo de nossas vidas; veja:


Ascensão


Histórias de ascensão são as mais comuns e as acompanhamos na maiorias dos filmes infantis, por exemplo. É quando um personagem começa sua jornada numa situação muito difícil e acaba, ao fim da história, tendo conquistado o seu objetivo principal.


Exemplo: Soluço, de Como treinar o seu dragão (2010)



Queda


Nessas narrativas, o personagem começa sua história bem, em uma situação confortável ou de boa sorte, e a acaba em uma situação trágica ou de má sorte.


Exemplo: Travis, de Taxi Driver (1976)



Queda e ascensão


Um personagem começa no status quo, depois sua vida começa a degringolar, mas no fim ele conquista seus objetivos e termina a história melhor do que começou.


Exemplo: O pequeno polegar ou João e Maria


Ascensão e queda


Nesse arco narrativo, o personagem começa a conquistar seus objetivos, mas esbarra em seus conflitos e acaba pior do que começou.


Exemplo: A família, em Parasita (2019)




Ascensão, queda e ascensão


Aqui, o personagem começa a história conquistando seus objetivos, depois derrapa uma série de obstáculos, mas volta a conquistar seu objetivo principal ao fim da história.


Exemplo: Andrea, de O Diabo Veste Prada (2006)



Queda, ascensão e queda


Ao contrário do último, o personagem deste arco narrativo começa a história em tragédia, acaba conseguindo ter esperança em seus conflitos, mas o desfecho de sua jornada volta a ser trágico.


Exemplo: Howard, de Joias Brutas (2019)



E aí? Deu para clarear as ideias sobre o assunto? Um exercício interessante é assistir aos filmes e tentar entender qual arco narrativo está sendo utilizado para contar as histórias. Os exemplos do próprio texto podem ser uma boa: tem filme e história para todo gosto.


Depois, é só treinar: pense um personagem e tente imaginar qual o melhor percurso narrativo faz mais sentido para ele.


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